A Política Entrópica da Ditadura Chilena

Tuesday, July 27, 2008

Falando durante a visita de General Médici a Casa Branca em dezembro de 1971, Richard Nixon disse “como vai o Brasil, vai o resto do continente de America Latina”. Nunca podia ser mais claro que a política autoritária da política exterior dos EUA (que complementou o autoritarismo dentro do Brasil) ia ser exportada aos outros países da America Latina. Mesmo que falei somente de Chile e não de Brasil no ensaio Teilhard and the Information Revolution, para quem soube as duas historias não foi necessário explicar.

Em termos da teoria de informação política que apresento aqui, os dois países atravessaram uma fronteira da política do improvável a uma política do provável (mesmo que tendia acontecer no Brasil numa moção lenta entre 1964 a 1968 da ditablanda a ditadura mesma — com a exceção do nordeste que sofreu do começo o regime de tortura como bem documentado por Marcio Moreira Alves).

Fiz a descrição seguinte no ensaio de 1977:

“Os eventos recentes no Chile fornecem um exemplo trágico dos problemas que enfrentam movimentos para o aumento de participação política dentro e pelo terceiro mundo. Dramatizam também a política da entropia numa escala pequena. Com o estabelecimento em setembro de 1973 dum reino de terror militar, a sociedade chileno cruzou a fronteira da probabilidade do improvável ao provável. Empregando tecnologias altamente avançadas do computador e de comunicação, a ditadura militar do Chile tem criado controles de informação que colocam o povo chileno numa marcha forçada para formas de comunicação cada vez mais prováveis e entrópicas. O sentido deste movimento militar está claro:

  • Antes do golpe, a expressão livre defendida constitucionalmente protegeu formas improváveis de discussão política. Desde então, a apreensão, tortura e execução sumárias dos dissidentes tem feito a cena política tão previsível quanto a Praça Vermelha de Moscou.
  • Antes do golpe, um sistema multipartidário gerou conflitos improváveis. Desde o golpe, a probabilidade foi reforçada pela centralização absoluta do poder nas forças armadas. O Congresso e todos os partidos políticos dissidentes são dissolvidos. Governadores e prefeitos devidamente eleitos foram substituídos com as sátrapas militares.
  • Antes, o status quo econômico foi desafiado pelas ações improváveis dos trabalhadores livre para expressar-se. Desde o golpe, a ditadura tem tentado criar uma força trabalhadora tão previsível quanto uma colônia de formigas. As greves são proibidas e os poderes arbitrários das polícias são usados contra líderes sindicais que ousam exigir atenção às queixas dos trabalhadores.
  • Antes, o ativismo político legalmente protegido causou florescer o improvável nos campus universitário. Desde o golpe, as universidades foram transformadas em fábricas da informação presididos pelos militares cujas primeiras instruções depois do golpe foram tirar muitos milhares de estudantes e de professores “subversivos”.
  • Antes, as formas de expressão diversas e não censuradas através de arte, livros e os meios de comunicação de massa resultaram na propagação imprevisível das idéias. Desde então, o fluxo das idéias se tornou sujeito ao gosto altamente previsível dos ditadores militares. Imediatamente depois do golpe, jornais e editoras dissidentes foram fechados. Livros apreendidos em invasões militares de livrarias, bibliotecas e residências privadas foram queimados no público. Muita gente destruiu seus próprios livros com medo de ser achado com eles. Agora jornais, livros, revistas, tevê, rádio, pecas de teatro, filmes, canções e mesmo a poesia são sujeitos a um ou outro tipo de censura.

“A descrição de Teilhard de entropia como uma ‘situação em que os poderes de ação são neutralizados e anulados num clima morna universal’ é uma descrição exata do clima política no Chile hoje e em todas as outras nações onde o desacordo é sistematicamente suprimido. Como os tiranos têm feito pelos séculos, os ditadores justificam seu papel como os protetores da probabilidade como o meio defender a ‘estabilidade’ política. Teilhard viu a falha trágica neste tipo de raciocínio quando escreveu ‘talvez a estabilidade verdadeira, a consistência verdadeira do universo deve ser procurado no sentido do aumento da improbabilidade’. Os movimentos ditatoriais em favor do provável são, neste sentido, o epítome da instabilidade política.”

Na próxima entrada, apresento porções do ensaio sobre a política do improvável.

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