O que tenho publicado sobre Brasil

Monday, August 11, 2008

“E preciso denunciar.” Foi o aviso que recebi numa visita com Dom Helder Camara na sua residência em Recife em Dezembro de 1970. Falávamos sobre o estado da repressão política e o regime da tortura. Tenho pensado muitas vezes neste aviso e tenho pensado também que não tenho conseguido fazer tudo que eu podia e devia ter feito. Não foi por falta de tentar. Duas tentativas de escrever livros sobre Brasil não deram certo, uma sobre a seca cujo começo testemunhei vivendo no sertão baiano em 1970, a outra uma tentativa analisar a ditadura brasileira usando uma “teoria política de informação”, uma tarefa que me ocupou muito nos fins dos anos setenta.

O que consegui fazer foram cinco artigos jornalísticos:

  • Entrevistas com flagelados baianos da seca de 1970 publicado na Tribuna da Bahia. (Quando eu achar a minha copia, botaria uma copia PDF aqui).
  • Uma entrevista com um dos flagelados famintos que atacaram trens para pegar comida em Ceara em 1970 (copia PDF aqui). Sendo que a entrevista não refletiu bem nos militares e pensei em voltar ao pais, usei o pseudônimo “Tony Counselor” (a tradução em portuguese e “Antônio Conselheiro”). Como eu (muito dificilmente) consegui esta entrevista e um conto em se que apresentarei aqui mais tarde.
  • Uma entrevista com Lula que apareceu no National Catholic Repórter em February 26, 1982 (copia PDF aqui ).
  • Um artigo sobre a situação no Brasil durante minha ultima visita em 1983 “IMF Austerity Brews Discontent in Brazil” que apareceu em In These Times (copia PDF aqui).
  • Uma reportagem sobre o financiamento pela CIA da Cruzada do Rosário de Padre Patrick Peyton nos anos 1962 a 1964 no Brasil que apareceu em Caros Amigos em 2007 (copia PDF aqui).E possível agora fazer respostas neste blogue sem deixar a historia de sua vida. Fui avisado (agradeço Ricardo) que o programa do blogue estava exigindo registro para poder responder. Agora tirei esta restrição (o default quando crie o blogue).

Tuesday, July 29, 2008

5) Uma Seqüência

Por falta dum mercado forte para pensadores utópicos (e muitas outras razoes) parei de seguir esta linha de pensamento nos 1980s. Mas ultimamente o meu interesse seguir estas idéias renasceu, não por coincidência ao mesmo tempo em que tenho reconhecido que morar no Brasil durante os anos de chumbo foi provavelmente a experiência mais importante de minha vida.

Aqui e uma sumaria rápida da direção estou tomando atualmente em escrever uma seqüência (sequel) ao ensaio de 1977:

Na física, o conceito da entropia tomou parte na revolução contra o mundo mecanistico baseado na certeza absoluta de Newton e em favor dum mundo baseado na interdependência e uma incerteza sem fim. Em construir as metáforas duma teoria de informação política, o anterior complementa o autoritarismo e o ultimo complementa o processo de democratização. Podemos proceder a três níveis: a consciência, a organização e a moralidade. A cada nível, podemos distinguir entre tendências absolutas (autoritárias) e tendências relativas (democráticas).

  • Da entropia (incerteza) e entropia negativa (a redução de incerteza, ou informação) de Shannon, podemos criar metáforas da ignorância política e consciência política. Os autoritários (os donos da verdade) vivem no mundo Newtoniano de certeza absoluta. A democratização procede na base de incerteza infinita e a necessidade de proteger os processos que iluminam a incerteza, criando a possibilidade de redução de incerteza e o crescimento geral da consciência política.
  • Da entropia da física, podemos criar metáforas de desorganização política e organização política. A obsessão autoritária com a ordem absoluta e um caos criado pelos subversivos do mundo reflete o mundo Newtoniano, a chamado “clockwork universe” que funciona segundo regras absolutas que não podem ser disputadas. Miguel Arraes avançou uma perspectiva relativa de ordem referindo ao “conceito de ordem e liberdade desviando da tendência costumaria ver los como conflitantes” (pela referencia, veja pagina 30 neste papel meu não publicado).
  • Norbert Weiner observou que o mau na teologia de Santo Augustino e análogo a entropia. O mau relativo e a desorganização, uma falta de organização, um coisa impessoal. Ao contrario, a perspectiva Maniqueina proclama a existência de umas pessoas que são incorporações de mau e merecem oposição violenta. A ferocidade moral de autoritarismo vem da mesma fonte. Da perspectiva de democratização o mau e um problema estrutural, não pessoal. O conceito de “violência estrutural” de Galtung complementa esta perspectiva. A lei democrática cria uma moralidade publica, nunca absoluta, sempre sujeita a critica e revisão.

Na visita que vou fazer a Brasil entre o 6 e 18 de agosto, vou matar as saudades do Brasil. Tambem gostaria comunicar neste assunto. O meu email e mikemc@brooklyn.cuny.edu.

4) A Revolução de Informação

No ensaio de 1977, depois falar sobre o golpe em Chile, perguntei:

“Como então e possível avançar no sentido oposto e provavelmente estabilizando de promover o improvável através da liberdade de informação? Ou, supondo a correlação entre a liberdade da informação e aumentando a participação, como podia uma expansão constante de participação no processo político ser conseguido?”

Imaginei uma transformação democrática global baseada numa democratização de base. Num espírito utópico e claramente especulativo, eu disse:

Relativa à revolução de informação, todas as nações atuais do mundo são sociedades pré-revolucionários. Nunca antes um movimento político ou econômico tem criado pelo público um poder tão extensivo quanto à capacidade de monitorar e participar em todas as decisões que a afetam. A revolução de informação permitiria o público observar e tomar parte ao vivo em decisões locais, regionais e globais. Resultaria na dissolução gradual das hierarquias internacionais e intranacionais que agora fazem fluxos de informação decisiva a propriedade exclusiva das elites políticos mais que à propriedade do público geral. O capitalismo de estado de sociedades marxistas-leninistas e o capitalismo explícito das economias de mercado levariam a descentralização do estado e as formas da democracia política, econômica e industrial menos. Envolveria não um movimento armado, mas um movimento de lei para ilegalizar toda decisão confidencial que tem um impacto público.

A revolução de informação é o processo em que o sistema de informação agora não organizado conscientemente — que nós chamamos agora a sociedade humana — se organiza conscientemente como um sistema de informação. Esta revolução não pode suceder sem contrabalançar as formas improváveis de expressão resultando da liberdade da informação com alguns meios públicos de lidar o improvável. O melhor meio será um publico cada vez mais informado e politicamente ativo. Enquanto o público global se torna cada vez mais consciente e ativo em negócios decisivos, a consciência humana pode tomar uma forma de em expansão constante ao nível planetário – muito como o Teilhard imaginou a planetização da noosfera.

Como um campeão do improvável, Teilhard se protege contra caracterizações irrefletidas (como “profundamente reacionário” por Lewis Mumford) e emerge-se um advogado fiel das liberdades democráticas, especialmente a expressão livre. Pela uma pessoa que, no lado da sua mãe, é um descendente de Voltaire e inteiramente apropriado. “Não apoio de que você diz” exclamou seu antepassado venerável “mas defenderei à morte o seu direito a dizer-lo.” Interpretado na luz da teoria de informação, a visão de Teilhard traz a evidência científica ao argumento que tolerância como a de Voltaire é um negocio de vida e morte. Na tentativa criar um mundo onde a gente possam se expressar livremente, a sobrevivência mesma da humanidade está no jogo. Em sua esperança excepcional que este esforço sucede, Teilhard chamou a nossa atenção “uma obrigação nova e nobre fazer todas as forças da terra avançar o progresso do improvável”. Parece uma aposta segura que os maiores avanços neste sentido estarão feitos pela revolução de informação.

Mais de trinta anos mais tarde, continuo crer na importância imaginar e especular sobre a democracia global. Mas o meu interesse no momento e elaborar as metáforas políticos baseados na teoria da informação, mexendo a filosofia da ciência mais recente e a filosofia política. O resultado, eu creio, e uma teoria da informação política que pode ajudar iluminar os perigos de desumanização e as oportunidades de humanização nos enfrentam atualmente.

3) A Política Entrópica da Ditadura Chilena

Falando durante a visita de General Médici a Casa Branca em dezembro de 1971, Richard Nixon disse “como vai o Brasil, vai o resto do continente de America Latina”. Nunca podia ser mais claro que a política autoritária da política exterior dos EUA (que complementou o autoritarismo dentro do Brasil) ia ser exportada aos outros países da America Latina. Mesmo que falei somente de Chile e não de Brasil no ensaio Teilhard and the Information Revolution, para quem soube as duas historias não foi necessário explicar.

Em termos da teoria de informação política que apresento aqui, os dois países atravessaram uma fronteira da política do improvável a uma política do provável (mesmo que tendia acontecer no Brasil numa moção lenta entre 1964 a 1968 da ditablanda a ditadura mesma — com a exceção do nordeste que sofreu do começo o regime de tortura como bem documentado por Marcio Moreira Alves).

Fiz a descrição seguinte no ensaio de 1977:

“Os eventos recentes no Chile fornecem um exemplo trágico dos problemas que enfrentam movimentos para o aumento de participação política dentro e pelo terceiro mundo. Dramatizam também a política da entropia numa escala pequena. Com o estabelecimento em setembro de 1973 dum reino de terror militar, a sociedade chileno cruzou a fronteira da probabilidade do improvável ao provável. Empregando tecnologias altamente avançadas do computador e de comunicação, a ditadura militar do Chile tem criado controles de informação que colocam o povo chileno numa marcha forçada para formas de comunicação cada vez mais prováveis e entrópicas. O sentido deste movimento militar está claro:

  • Antes do golpe, a expressão livre defendida constitucionalmente protegeu formas improváveis de discussão política. Desde então, a apreensão, tortura e execução sumárias dos dissidentes tem feito a cena política tão previsível quanto a Praça Vermelha de Moscou.
  • Antes do golpe, um sistema multipartidário gerou conflitos improváveis. Desde o golpe, a probabilidade foi reforçada pela centralização absoluta do poder nas forças armadas. O Congresso e todos os partidos políticos dissidentes são dissolvidos. Governadores e prefeitos devidamente eleitos foram substituídos com as sátrapas militares.
  • Antes, o status quo econômico foi desafiado pelas ações improváveis dos trabalhadores livre para expressar-se. Desde o golpe, a ditadura tem tentado criar uma força trabalhadora tão previsível quanto uma colônia de formigas. As greves são proibidas e os poderes arbitrários das polícias são usados contra líderes sindicais que ousam exigir atenção às queixas dos trabalhadores.
  • Antes, o ativismo político legalmente protegido causou florescer o improvável nos campus universitário. Desde o golpe, as universidades foram transformadas em fábricas da informação presididos pelos militares cujas primeiras instruções depois do golpe foram tirar muitos milhares de estudantes e de professores “subversivos”.
  • Antes, as formas de expressão diversas e não censuradas através de arte, livros e os meios de comunicação de massa resultaram na propagação imprevisível das idéias. Desde então, o fluxo das idéias se tornou sujeito ao gosto altamente previsível dos ditadores militares. Imediatamente depois do golpe, jornais e editoras dissidentes foram fechados. Livros apreendidos em invasões militares de livrarias, bibliotecas e residências privadas foram queimados no público. Muita gente destruiu seus próprios livros com medo de ser achado com eles. Agora jornais, livros, revistas, tevê, rádio, pecas de teatro, filmes, canções e mesmo a poesia são sujeitos a um ou outro tipo de censura.

“A descrição de Teilhard de entropia como uma ‘situação em que os poderes de ação são neutralizados e anulados num clima morna universal’ é uma descrição exata do clima política no Chile hoje e em todas as outras nações onde o desacordo é sistematicamente suprimido. Como os tiranos têm feito pelos séculos, os ditadores justificam seu papel como os protetores da probabilidade como o meio defender a ‘estabilidade’ política. Teilhard viu a falha trágica neste tipo de raciocínio quando escreveu ‘talvez a estabilidade verdadeira, a consistência verdadeira do universo deve ser procurado no sentido do aumento da improbabilidade’. Os movimentos ditatoriais em favor do provável são, neste sentido, o epítome da instabilidade política.”

Na próxima entrada, apresento porções do ensaio sobre a política do improvável.

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